Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama. E disse-lhe a ela: Os teus pecados te são perdoados.
E os que estavam à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este, que até perdoa pecados? E disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz.(Lucas 7:47 a 50)
O contexto desta passagem é a mulher pecadora que unge e beija os pés de Jesus. É notável, nenhum dos apóstolos jamais fizeram tal coisa! Mais notável ainda é observar como nosso amor ao Senhor é tão superficial. Mesmo que Ele tenha ordenado que deveríamos amar a Deus de todo nosso coração alma e pensamento, ainda assim não conseguimos mergulhar num nível profundo de adoração tal como as Escrituras nos ensinam. Nossos louvores são motivados por um antropocentrismo doentio, nossos púlpitos são muitas vezes plataformas de promoção pessoal, não conseguimos manter nossa atenção, devoção, afeição e coração na reunião de adoração, até mesmo nossas motivações espirituais são inclinadas aos interesses puramente egoístas. Demonstramos um.amor ao Senhor que não supera o amor pelo presente século mau e as coisas relacionadas a isso . O amor só de boca, sem vida e sem inclinação ao absoluto que impõe a gratidão pura que nasce de uma visão real do preço que foi pago o resgate da nossa vã maneira de viver.
O que levou a mulher pecadora agir de forma tão dramática? O que a motivou a uma adoração tão desesperada? A resposta é simples: a visão da sua condição de miséria por causa da percepção que ela tinha sobre a natureza depravada e abominável de seus próprios pecados seguido do sentimento vivo de que não era merecedora da bendita graça de Deus. Foi isso que levou aquela mulher a agir de maneira tão radical. Mas , quanto a nós, nosso ego orgulhoso tende sempre a diminuir o tamanho da gravidade do pecado, portanto também segue que isso diminui o nosso conceito do tamanho da ofensa dos nossos pecados perante Deus. Sem contar que isso nos induz também a diminuir o conceito de santidade de Deus. Por isso a adoração atual é tão superficial.
Enquanto nossa noção de pecado for superficial, nossa ação de graças também será! Mas , agimos como pessoas inchadas pelo nosso orgulho, sempre nos inclinamos a medir os pecados dos outros com padrões diferentes com que medimos os nossos.
Olhamos para nossos méritos e qualificações e nós orgulhamos disso, e o problema não para nisto, nas tendências mais depravadas, idolatramos a nós. Achamos que somos melhores do que os outros, então nossos méritos são nossa adoração, seria indigno de nossa parte nos humilharmos ao ponto de beijar de contínuo, os pés de Jesus. isso seria um ato muito ridículo, não somos tão ruins assim, diz nosso coração a nós mesmos e acreditamos piamente nele.
Até mesmo os apóstolos parecem ter caído nessa armadilha do velho homem, eles testemunham uma extravagância desnecessária , Judas viu nesse tipo de atitude, um "desperdício" . A nossa humildade será sempre verdadeira quando batemos no peito e clamamos "Senhor, sē propício a mim pecador" mas ao invés disso, não somos capazes de entender que a misericórdia de Deus é a causa de não sermos consumidos. Não queremos destronar os nossos méritos do altar do nosso coração, eles são valiosos demais, são a garantia de que somos espirituais, temos eles como o selo da nossa santidade, mas se no céu, os anciãos tiram suas coroas e jogam aos pés do Senhor, aqui na terra queremos manter no palco mais alto os nossos méritos e virtudes . Esperamos dos outros, elogios, aplausos, reconhecimento, status, queremos ser o centro das atenções pelo caminho da aprovação, a humilhação é um estigma a ser evitado a qualquer custo na religião glamourizada.
É Simão quem recebe a revelação da santíssima misericórdia de Deus para com os pescadores. Na parábola dos dois credores, o que teve a dívida maior perdoada é quem disponibiliza uma afeição maior , a parábola aplica-se ao modo como a mulher pecadora mostrou sua gratidão em forma de adoração, era a mais indigna, objeto de repugnância aos olhos dos fariseus, uma abominação aos olhos do sistema farisaico. Cristo afirmou que quem é perdoado pouco, pouco ama. A mulher enxergou o quanto eram asquerosos seus pecados, fétidos e repugnantes cada um deles, percebeu quão terríveis eram, entendeu que eram a causa da separação com Deus e acima de tudo , o selo da maldição eterna. Aquela mulher que enxergou a abominação infinita de seus pecados ouviu: "Os teus pecados te são perdoados" (Lucas 7:48) amados irmãos, qual a causa de nossa adoração ser tão fraca e superficial? São nossos conceitos fracos a respeito de nossos pecados pecados. Avaliamos o sacrifício de Cristo na cruz como um pagamento barato dos nossos pecados. O cálculo é superficial e os resultados são evidentes. Não medimos o grau da depravação em que nós encontramos sem Cristo, pelo contrário, teólogos tem minimizado isso, não somos tão ruins assim, nosso conceito sobre nós mesmos é pautado numa visão religiosa farisaica, não é de se admirar que o comportamento seja ainda pior do que o deles. Nosso ego se ofende se o conceito de caráter repulsivo, agravante, repugnante, abominável, pútrido e asqueroso for imputado sobre nossos pecados , isso pode ser até fácil de aplicar aos pecados dos outros, mas não aos nossos. Então o que sentimos é que temos uma fagulha de humanismo esfregando nosso ego para que brilhe e ofusque a crucificação de Cristo e os sofrimentos que o Senhor padeceu por causa dos nossos pecados. Nossos cálculos são feitos por nosso orgulho, não somos tão ruins assim, a vergonha da cruz e o preço de resgate feito através do sangue imaculado de Cristo não tem um valor inestimável sobre a nossa redenção. Por causa disso, nossa adoração e devoção ao Deus Triuno é tão rasa e superficial. Bocejamos nas reuniões fizemos piada com as coisas do evangelho, não sentimos contrição pelas nossas impiedades, não gostamos de pregações que denunciam a gravidade do pecado, queremos uma religião confortável que tenha mensagens que nós exalta e não nos humilhe, que nós induza aos patamares mais elevados do sucesso e não a termos o mesmo sentimento que teve Cristo Jesus, a humilhação e o vitupério da cruz. Queremos uma super-enfase, a nós como o centro das atenções, queremos um cristianismo divertido, festivo, comemorativo, tudo com base na digestão no nosso imperativo de que não somos tão ruins, os outros podem ser, mas nós não! A maioria dos leitores continuarão sob a cobertura de uma religião que ameniza o peso do pecado, que diminui a seriedade da iniquidade, que subtrai o fedor da impiedade, e promove um sentimento agradável de orgulho e arrogância. Poucos reconhecerão o peso esmagador de seus pecados sob o Cordeiro crucificado, perceberão a atrocidade violenta de suas iniquidades sobre o Messias sofredor , enxergarão e então como aquela mulher pecadora, a vida será transformada por uma adoração plena de gratidão. E o motivo é "É que, eu havendo sido cego, agora vejo" (João 9:25)
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